O boletim de final de ano não trouxe boas notícias? Seu filho ficou em recuperação? Nessas horas, o estômago chega a dar um nó. A primeira reação é uma mistura de raiva, decepção e medo. “Eu paguei a escola o ano todo!”, “Eu avisei para estudar!”.
É aqui que você precisa respirar fundo, antes de gritar, de cancelar o Natal ou de proibir o videogame até 2030.
Vamos conversar sobre isso?
A nota vermelha não é um atestado de incapacidade do seu filho, nem um atestado de fracasso da sua parentalidade. Ela é apenas um sintoma. Um alerta luminoso no painel indicando que algo no processo de aprendizado precisa ser reorganizado.
E gritar com o sintoma não gera desenvolvimento!
Hoje, convido você a sair do lugar de juiz e assumir o lugar de investigador. Vamos entender o que aconteceu e traçar um plano de resgate, não só da nota, mas da autoestima do seu filho (essa a mais importante).
Acolha a sua frustração (longe da criança)
É normal ficar bravo. Você investiu tempo, dinheiro e energia. Mas despejar essa frustração na criança (“Você é preguiçoso”, “Você me decepcionou”) só gera culpa e bloqueio. O cérebro de uma criança humilhada ou amedrontada não aprende. Se o objetivo é passar na recuperação, o terror psicológico não vai ajudar em nada. Processe sua raiva antes de ter “A Conversa”.
Investigue a causa
Por que a nota foi baixa? Raramente é apenas “preguiça”. Geralmente, é um destes três fatores:
- Lacuna de Aprendizagem: Ele não foi mal na prova de hoje porque não estudou ontem. Ele não entendeu a base da matéria há um tempo. A matéria acumulou e virou uma bola de neve. Em fases de alfabetização, por exemplo, muitas vezes a abordagem pedagógica utilizada em sala, pode não ter sido a ideal para o seu filho. Uma juda profissional, pode identificar e preencher as lacunas de conhecimento.
- Dificuldade de Planejamento e Organização (Função Executiva): Ele não sabia como estudar. Ficou horas olhando para o livro sem dar conta de absorver o conteúdo , ou se perdeu nos prazos de entrega de trabalhos.
- Fatores Emocionais: Ansiedade de prova, problemas com colegas, ou medo excessivo de errar podem dar um “branco” na hora H.
Punição x Consequência Lógica
Aqui mora o maior erro dos pais em dezembro.
- Punição: “Você foi mal, então não vai viajar nas férias / não vai ganhar presente de Natal.”
- Resultado: Revolta, desconexão e um afastamento cada vez maior da conexão com os estudos. A criança estuda por medo, não por satisfação pessoal.
- Resultado: Revolta, desconexão e um afastamento cada vez maior da conexão com os estudos. A criança estuda por medo, não por satisfação pessoal.
- Consequência Lógica: “Esse conhecimento é importante para sua vida! Por isso você vai precisar dedicar um tempo agora para resgatar seus compromissos!” Isso é uma consequência desse fato!
- Resultado: Responsabilidade. A criança entende que um trabalho extra, não está associado a sofrimento gratuito.
Como ajudar seu filho a se recuperar
A recuperação não deve ser uma maratona solitária.
- Organize a Rotina: A criança que não se organizou o ano todo não vai conseguir se organizar agora sozinha. Monte um cronograma realista.
- Foque na Lacuna: Não adianta tentar decorar o livro todo. Tente identificar o que ele não entendeu.
- Terceirize se Necessário: Se estudar com você vira uma guerra, pare. Você é mãe/pai, não professor. Você pode ter a maior boa vontade em ajudar seu filho, mas não tem a didática necessária para ajudá-lo. Contratar um apoio pedagógico ou reforço escolar neste momento pode salvar a relação e garantir que o estudo seja técnico e eficiente, sem a carga emocional da família.
Conclusão: A Nota Passa, a Autoestima Fica
Seu filho é muito mais do que um boletim. Ele é uma criança em desenvolvimento que por uma soma de fatores apresentou dificuldade ou se distraiu. Acontece em algumas fases da vida. Afinal a complexidade da vida vai aumentado para a criança.
A forma como você lida com esse “fato” agora vai definir como ele lidará com as adversidades na vida adulta: ele vai mentir e esconder para evitar punição? Ou vai arregaçar as mangas, pedir ajuda e resolver o problema?
Use a recuperação para ensinar sobre persistência e resiliência , e não sobre vergonha ou fracasso. Mostre que vocês são um time. “A nota foi ruim, mas nós vamos resolver isso juntos e você pode refazer de outra forma!”
Isso é educar para a vida.

