Não ensinei, mas meu filho(a) aprendeu: Por que o exemplo silencioso dos pais ensina mais do que mil sermões?

Seu filho aprende mais vendo do que ouvindo. Descubra a ciência por trás de educar pelo exemplo e como suas atitudes moldam o comportamento dele.

O aprendizado mais profundo e duradouro não acontece quando estamos dando uma “aula” para nossos filhos. Ele acontece nos intervalos, no silêncio, na rotina cotidiana, nos exemplos discretos. Acontece quando estamos apenas vivendo a nossa vida, sem perceber que há um par de olhos atentos gravando cada movimento nosso. 

É nesse momento silencioso e profundamente revelador em que somos surpreendidos: a criança simplesmente faz! Não porque pedimos, não porque ensinamos, mas porque ela observou.

A aprendizagem por modelagem, é um dos conceitos mais poderosos da neurociência aplicada à educação! As crianças aprendem com o corpo inteiro atento ao mundo. Elas observam sons, tons de voz, expressões faciais, formas com que resolvemos problemas, maneiras de cuidar, de reagir, de esperar, de insistir ou persistir!

O adulto é para a criança, um modelo vivo e intenso, muito antes de ser um instrutor.

São frequentes as narrativas de pais ou cuidadores com o seguinte cenário:

“Filha, quem te ensinou a fazer isso?” A resposta foi simples e direta: “Ninguém. Eu vi você fazendo.”

O Poder dos Neurônios Espelho

Esse aprendizado acontece graças a  um mecanismo poderoso do cérebro: os neurônios espelho.

Eles são ativados quando a criança observa uma ação e também quando ela própria a executa. Então ao ver um adulto agir, o cérebro infantil simula internamente aquela ação, como se já estivesse fazendo. O corpo aprende antes mesmo do movimento acontecer. Por isso, quando uma criança “repete” algo que fazemos, ela não está apenas imitando, ela está internalizando modos de ser.

Isso nos lembra que nossos filhos são como esponjas. Mas eles absorvem muito menos o que falamos (“seja organizado”, “tenha paciência”) e muito mais o que somos e fazemos.

Se queremos que a criança leia, ela precisa ver livros nas mãos dos pais. Se queremos que ela conserte coisas em vez de descartar, ela precisa ver os pais reaproveitando materiais. O exemplo se replica!

Então esteja atento para:

Qual o exemplo você deseja passar?

Sabendo que do ponto de vista científico, crianças aprendem comportamentos por observação, imitação e repetição, vale pensar sobre as ações dos adultos e os modelos comportamentais no dia a dia.

Palavras têm impacto, mas são os comportamentos observáveis e o manejo das próprias emoções que estruturam a aprendizagem. 

Refletir sobre o próprio comportamento é parte essencial do processo educativo.!

Fundamental também é ter a consciência de que o adulto é o principal modelo de referência junto daquilo que é verbal e não verbal, e a partir disso a criança vai imitar, reforçar e incorporar no seu repertório de vida, muitas vezes de forma automática e inconsciente.

Portanto, educar não se limita a orientar ou corrigir a criança, mas exige que o adulto reflita sobre o próprio comportamento, reconhecendo que suas ações constroem modelos de autorregulação emocional, comunicação e interação social.

Refletir sobre que modelo deseja passar é um passo fundamental para uma parentalidade mais consciente, intencional e alinhada ao desenvolvimento saudável da criança.

O exemplo que você vive hoje é a referência que seu filho levará para o mundo amanhã.

A Autoestima Nasce da Competência

Se o exemplo do adulto é um importante organizador do comportamento infantil, é também a partir dele que a criança aprende a perceber a si mesma como capaz ou incapaz. Quando o adulto modela persistência, tolerância ao erro, autorregulação emocional e enfrentamento de desafios, ensina, na prática, que aprender envolve tentativa, esforço e tempo.

A autoestima se constrói quando a criança vivencia experiências reais de competência, sustentadas por um ambiente que encoraja a ação, permite o erro e oferece apoio sem substituição. Nesse contexto, o adulto que faz pela criança aquilo que ela poderia tentar, ou que evita frustrações a todo custo, comunica – ainda que de forma não verbal- uma mensagem de incapacidade.

Assim, o exemplo oferecido diariamente orienta não apenas o comportamento observável da criança, mas também a forma como ela passa a se perceber no mundo. Promover competência é uma consequência direta de um modelo adulto que confia, espera, sustenta e ensina favorecendo o desenvolvimento de uma autoestima sólida e funcional.

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