“Meninos são assim mesmo”: O perigo escondido na frase que dizemos às nossas filhas

Sua filha sofreu com grosserias na escola? Entenda por que justificar dizendo "meninos são assim" prejudica a criação de meninas no futuro.

Sua filha chega da escola frustrada. Um colega pegou o material dela sem pedir, estragou a brincadeira ou foi grosseiro no recreio. Instintivamente, na tentativa de acalmá-la e mostrar que a culpa não é dela, você solta a frase clássica: “Não liga, filha. Os meninos são assim mesmo. Eles são menos delicados.”

Você complementa dizendo para ela se impor e não aceitar, mas a semente da frase principal já foi plantada.

Parece inofensivo. Afinal, crianças têm energias diferentes e formas diferentes de brincar. Mas o que a Psicologia e a Orientação Parental nos mostram é que essa pequena frase carrega um peso enorme para o futuro das meninas.

O que ela escuta quando você diz “Meninos são assim”?

A mente infantil é literal. Quando justificamos um comportamento inadequado baseado no gênero, a menina internaliza uma regra social perigosa: o mau comportamento masculino é um traço biológico, e o meu papel é ser tolerante.

Nós dizemos para ela se impor, mas, ao mesmo tempo, damos ao menino um “passe livre” invisível.

A mensagem que fica é: “Eles não conseguem se controlar, então você, que é mais madura e compreensiva, precisa relevar.”

É exatamente assim que começamos a treinar as meninas para carregarem a carga mental emocional das relações. Ensinamos que elas devem baixar suas expectativas sobre o respeito e a empatia que merecem receber dos homens.

Falta de delicadeza x Falta de respeito

Precisamos separar duas coisas fundamentais na educação das nossas crianças:

Uma coisa é o estilo de brincadeira. É verdade que, culturalmente e até por questões de energia motora, muitos meninos preferem brincadeiras mais físicas, de contato, com menos foco em “delicadeza” e mais em impacto. 

Outra coisa, completamente diferente, é cruzar o limite do respeito.

Invadir o espaço do outro, gritar, não aceitar um “não”, estragar o que não é seu… Isso não é “coisa de menino”. Isso é falta de habilidade social e desregulação emocional. E os meninos são perfeitamente capazes de aprender a respeitar limites, desde que nós adultos paremos de dar desculpas para eles.

Então como orientar sua filha sem cair nessa armadilha?

O desafio da parentalidade moderna é validar a frustração da menina sem criar nela a obrigação de “consertar” ou “tolerar” o outro.

Da próxima vez que ela voltar chateada com a atitude de um colega, experimente mudar o discurso:

Em vez de: “Ele é menino, não liga para a falta de jeito dele.”

Diga: “O que ele fez foi desrespeitoso e você tem toda a razão de estar frustrada. Ninguém tem o direito de invadir o seu espaço.”

Em vez de: “Eles são assim, apenas se imponha e saia de perto.”

Diga: “Você fez bem em dizer ‘não’. O comportamento dele foi inadequado e a escola (ou o adulto responsável) precisa ajudá-lo a aprender a conviver. Não é sua obrigação ter paciência com quem te desrespeita.”

O verdadeiro empoderamento

Neste mês da Mulher, o maior presente que podemos dar às nossas filhas não é dizer que elas podem ser o que quiserem. É ensiná-las, na prática do dia a dia, que elas não precisam ser responsáveis pela imaturidade ou desregulação emocional de ninguém.Se você sente dificuldade de fazer esses ajustes finos na comunicação com os seus filhos, sejam meninos ou meninas, a Orientação Parental é o espaço ideal para isso. É na sutileza da rotina que formamos a autoestima e os limites de quem eles serão no futuro.

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